SOTERIOLOGIA • AULA 13

Expiação

O significado da expiação e a obra de Cristo em favor da humanidade.

Culto Raízes • Material de estudo

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Introdução

A palavra expiação é encontrada poucas vezes na Bíblia, mas o seu conceito é assunto principal tanto no Antigo quanto no Novo Testamento. Palavras mais conhecidas, como, por exemplo, reconciliação, propiciatório, sangue, remissão de pecados e perdão, estão diretamente relacionadas com esse tema.

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Expiação no Antigo Testamento

A ideia de expiação é bastante enfatizada no Antigo Testamento. O homem pecava constantemente e merecia a ira justa de Deus, porém, com a interposição do sacrifício de sangue, a ira de Deus era afastada. A oferta de expiação simbolizava uma troca substitutiva da vida de um animal sacrificado pela vida daquele que a oferecia. Era a vida de um inocente no lugar da vida de um culpado. Tal ato só tinha valor se o pecador colocasse suas mãos na cabeça do animal sacrificado, confessando seus pecados: “E porá a mão sobre a cabeça do bode e o imolará no lugar onde se imola o holocausto, perante o Senhor; é oferta pelo pecado” (Lv 4.24). Esse ato era realizado pelo sacerdote, tendo como consequência o perdão dos pecados e a reconciliação (Lv 4.20). Os sacrifícios assim apresentados eram prefigurações do grande e único sacrifício de Jesus Cristo EXPIAÇÃO NO AT

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Expiação no Novo Testamento

No Novo Testamento, há várias passagens que falam da ira de Deus, ou seja, Deus ficando irado com os pecadores: “A ira de Deus se revela do céu contra toda impiedade e perversão dos homens que detêm a verdade pela injustiça” (Rm 1.18; Gl 3.10; Ef 2.3). A Bíblia expressamente declara que os sofrimentos e a morte de Cristo foram vicários, e vicários no sentido mais exato do termo. Isto é, Jesus assumiu o lugar dos pecadores e a culpa dos pecadores foi imputada a Cristo e a punição que os pecadores mereciam foi transferida para Jesus. Por isso, Jesus pode ser chamado de “o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo!” (Jo 1.29). EXPIAÇÃO NO NT

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A obra realizada por Cristo para obter a nossa salvação

A OBRA QUE CRISTO REALIZOU EM SUA VIDA E MORTE PARA OBTER A NOSSA Wayne Grundem teólogo, missionário, escritor, erudito bíblico e pregador calvinista estadunidense Wayne Grundem

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A causa da expiação

Qual foi o motivo que levou Cristo a vir a este mundo e morrer pelos nossos pecados? Para encontrar a resposta, devemos pesquisar o assunto sobre alguma coisa no caráter do próprio Deus. As Escrituras apontam para duas características: o amor e a justiça de Deus. Aqui, temos um problema. Se Deus estivesse disposto a usar todos os meios possíveis para nos salvar, e se ignorasse totalmente a questão da justiça, Ele poderia dizer a qualquer pessoa: “Pode ir, você está livre”. Se Deus dissesse isso, Ele seria um Deus totalmente bom. Deus jamais poderia ser assim. Por outro lado, se Deus não amasse, seria fácil. Ele simplesmente não se importaria com o homem e o deixaria morrer e perecer quando pecasse. Mas Deus não age assim, porque ama o homem. O problema é que, aqui, o pecado e o amor de Deus estão juntos. Agora, quando a justiça é acrescentada a esses dois aspectos, a salvação se torna mais complexa sobre a terra.

Se o homem não tivesse pecado, tudo estaria bem; e se Deus não nos amasse, também não haveria problema. Essas três questões: amor, pecado e justiça, não podem coexistir facilmente. O amor é um fato, o pecado também, e a justiça uma necessidade. A palavra “feitura”, no grego, é ποίημα (poiema), que significa obra-prima, ou um poema, ou uma obra que demonstre as características do seu criador. A salvação que Deus preparou por meio de seu Filho Jesus é essa obra-prima. Jesus é capaz de nos salvar de nossos pecados e demonstrar seu amor sem comprometer sua justiça. Na cruz, Jesus satisfez sua justiça e, também, demonstrou seu amor.

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Sofrimentos de Cristo

Os sofrimentos de Jesus se intensificaram à medida que Ele se aproximava da cruz. Ele compartilhou com os discípulos algo da agonia que estava vivendo quando disse: “A minha alma está profundamente triste até a morte” (Mt 26.38). Foi especialmente sobre a cruz que os sofrimentos de Jesus por nós atingiram seu clímax, pois foi ali que Ele suportou o castigo pelo nosso pecado e morreu em nosso lugar. Por meio das Escrituras, podemos perceber que Jesus experimentou quatro diferentes aspectos da dor:

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Dor física e morte

Não precisamos sustentar que Jesus sofreu muita dor física. Seus discípulos registraram, nos evangelhos, sua morte e crucificação. Marcos nos informa o seguinte: “Puseram-se alguns a cuspir nele, a cobrir-lhe o rosto, a dar-lhe murros e a dizer-lhe: Profetiza! E os guardas o tomaram a bofetadas” (14.65). Em Mateus, lemos: “Despojando-o das vestes, cobriram-no com um manto escarlate; tecendo uma coroa de espinhos, puseram-lha na cabeça e, na mão direita, um caniço; e, ajoelhando-se diante dele, o escarneciam, dizendo: Salve, rei dos judeus! E, cuspindo nele, tomaram o caniço e davam-lhe com ele na cabeça. Depois de o terem escarnecido, despiram-lhe o manto e o vestiram com as suas próprias vestes. Em seguida, o levaram para ser crucificado” (27.28-31). Além desses sofrimentos, não podemos esquecer que a morte por crucificação era uma das formas mais horríveis de execução que o homem já inventou. Esse tipo de morte é a mais dolorosa e demorada.

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A dor de carregar o pecado

Mais horrível que a dor do sofrimento físico que Jesus suportou foi a dor psicológica de carregar a culpa pelo nosso pecado: “Aquele que não conheceu pecado, ele o fez pecado por nós; para que, nele, fôssemos feitos justiça de Deus” (2Co 5.21). Em nossa própria experiência como cristãos, conhecemos um pouco da angústia que sentimos quando sabemos que pecamos. O peso da culpa nos oprime o coração, e há um amargo sentimento de separação de tudo o que é correto no Universo, uma consciência de algo que, num sentido bem profundo, não devia existir. Assim, esse sentimento fez que Jesus entrasse “em agonia, orava mais intensamente. E aconteceu que o seu suor se tornou como gotas de sangue caindo sobre a terra” (Lc 22.44).

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A dor do abandono

No Getsêmani, quando Jesus levou consigo Pedro, Tiago e João, confidenciou-lhes um pouco de sua agonia, dizendo: “A minha alma está profundamente triste até a morte; ficai aqui e vigiai” (Mc 14.34). Esse é o tipo de confiança que somente se faz a um amigo muito íntimo e implica em um pedido de apoio na hora de maior provação. Entretanto, quando Jesus foi preso, “os discípulos todos, deixando-o, fugiram” (Mt 26.56). Pendurado na cruz, a dor física da crucificação, juntamente com o peso de nossos pecados, foi agravada, pelo fato de Jesus ter enfrentado essa dor longe da presença do Pai, a ponto de Ele clamar em alta voz: “Eli, Eli, lamá sabactâni? O que quer dizer: Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste?” (Mt 27.46).

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A dor de suportar a ira de Deus

Mais difícil ainda que esses três aspectos da dor de Jesus foi a dor de suportar sobre si a ira de Deus. Como Jesus carregava sozinho a culpa de nossos pecados, Deus Pai, o poderoso Criador, o Senhor do Universo, derramou sobre Ele a fúria de sua ira: Jesus se tornou objeto do intenso ódio e da vingança contra o pecado que Deus tinha guardado com paciência desde o início do mundo.

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Outras concepções errôneas da expiação

Em contraste com a concepção da substituição penal da expiação apresentada neste capítulo, vários outros pontos de vista têm sido defendidos na história da igreja.

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A teoria do resgate pago a Satanás

De acordo com essa teoria, a morte de Cristo constituiu um resgate pago a Satanás, em cujo poder se encontravam todas as almas dos homens, devido ao pecado. Essa visão foi sustentada por Orígenes (c.185 – c.254 d.C.), teólogo de Alexandria e, mais tarde, de Cesaréia. Depois dele, essa visão contou com o apoio de alguns outros na história antiga da Igreja. Segundo Russel Norman Champlin, este ensino “dominou o pensamento teológico por cerca de mil anos”.

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A teoria da influência moral ou do amor de Deus

A teoria da influência moral da expiação sustenta que Deus não exige o pagamento de um castigo pelo pecado, mas que a morte de Cristo era simplesmente um modo pelo qual Deus mostrou o quanto amava os seres humanos ao se identificar, até a morte, com o sofrimento deles. Quanto a este conceito, Thiessen diz que “o sofrimento e a morte de Cristo são semelhantes aos do missionário que entra em uma colônia de leprosos, por toda a vida, para poder salvar os que ali estão”. Não há aqui, então, qualquer ideia de fazer propiciação perante a ira de Deus, nem de Cristo morrer como um substituto pelos nossos pecados. Essa concepção foi defendida, pela primeira vez, por Pedro Abelardo (1079-1142), teólogo francês. Depois dele, Fausto Socínio despontou como um dos maiores expoentes.

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A teoria do mártir ou do exemplo

A teoria do exemplo, à semelhança da teoria da influência moral, também nega que a justiça de Deus exija castigo pelo pecado; diz que a morte de Cristo foi um exemplo a ser seguido, que o único método de reconciliação é a melhoria da condição moral do homem. Seu único valor para a humanidade está no exemplo deixado. “Ele nos redime só com o seu exemplo humano de fidelidade à verdade e o dever tem poderosa influência sobre o progresso moral”. A teoria do exemplo da expiação foi ensinada pelos socinianos, seguidores de Fausto Socínio (1539-1604), teólogo italiano que se estabeleceu na Polônia, em 1578, e atraiu grande número de adeptos.

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A teoria governamental

Essa teoria sustenta que, em sua morte, Cristo proveu um sofrimento vicário, mas que de forma alguma Ele o fez a fim de levar sobre si mesmo o nosso castigo. Afirma que Deus, para manter o respeito por sua lei, deu um exemplo de seu ódio ao pecado na morte de Cristo. Dessa forma, Cristo não paga a pena exatamente pelos pecados concretos de alguém, mas apenas sofreu para mostrar que quando as leis de Deus são quebradas alguma espécie de pena deve ser paga. A teoria governamental da expiação foi ensinada pela primeira vez por um teólogo e jurista holandês, Hugo Grotius (1583-1645).

VERIFICAÇÃO DE APRENDIZAGEM

Verificação de aprendizagem

Use estas perguntas para revisar os principais pontos estudados.

Como o Antigo Testamento demonstrava a ideia de expiação?

Quais são os quatro diferentes aspectos de dor que Jesus experimentou?

O que ensina a teoria do resgate por Satanás?

Quem defendia tal ideia?

O que ensina a teoria do mártir?

Quem defendia tal ideia?

O que ensina a teoria governamental?

Quem defendia tal ideia?