AULA EM VÍDEO
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CONTEÚDO DA AULA
Introdução
Os termos “santidade” (hb. qodesh) e “santificação” (gr. ἁγιασμος – hagiasmos) são importantes à experiência e à doutrina da salvação. Santidade é o termo principal e santificação, o ato ou processo pelo qual algo ou alguém se torna santo. No Antigo Testamento, a palavra santificação recebia o sentido de: “consagrar, santificar, preparar, dedicar, ser consagrado, ser santo”. Segundo a Bíblia, tanto no Antigo quanto no Novo Testamento, tudo o que se relacionava a Deus era santificado, por causa de sua consagração e adoração: a terra (Êx 3.5); o sábado (Gn 2.3; Êx 20.8; 31.14; Ne 13.22); o óleo da santa unção (Êx 37.29); as festas (Lv 23.2); o monte do Senhor (Sl 15.1); a aliança (Dn 11.30); a comida (1Tm 4.5); a oferta (Mt 23.19);
os animais (Hb 10.29); os vasos (2Tm 2.21); o altar (Êx 40.10); o caminho (Is 35.8); a cidade (Mt 4.5); os dízimos (Lv 27.32); o jejum (Jl 1.14; 2.15); os sacrifícios (Rm 12.1); os primogênitos dos homens e dos seres (Êx 13.2; Dt 15.19), entre outras coisas. Quando separadas para Deus, todas essas coisas eram consideradas santas, dedicadas a Deus, isoladas das outras coisas e pessoas! Quanto mais o caráter de Deus se revelava, por meio de suas palavras e atos, e também por seus procedimentos para com Israel, a santidade de Deus ganhava mais significado. No Novo Testamento, Jesus deu mais expressão à santidade e o Espírito Santo, por sua vez, iluminou o seu significado espiritual. Por conta disso, a santidade não significava apenas separação, mas pureza.
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Os três estágios da santificação
A obra do Espírito Santo na vida do crente é tanto instantânea como gradual. Inclui a obra transformadora do Espírito no coração do cristão, pela qual o cristão se torna moral e espiritualmente santo, como Deus é santo. Esta é a purificação inicial que ocorre no momento do novo nascimento, conhecida como santificação. Um segundo momento inclui o processo de transformação, quando o Espírito Santo vai convencendo e transformando o crente à semelhança de Cristo até a glorificação no céu, como está escrito: “E todos nós, com o rosto desvendado, contemplando, como por espelho, a glória do Senhor, somos transformados, de glória em glória, na sua própria imagem, como pelo Senhor, o Espírito” (2Co 3.18).
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O ato inicial da santificação
No momento em que a pessoa nasce de novo, ocorre uma mudança moral, intelectual e espiritual, definida como regeneração. Nesse mesmo momento, diz-se que a pessoa foi santificada, tornou-se santa. É a santidade posicional, ou seja, a santidade de Cristo é atribuída ao crente. Pode ser que ele ainda não seja santo em sua conduta diária, mas a santidade de Jesus lhe é imputada quando crê em Cristo. As Escrituras dizem: “Mas vós sois dele, em Cristo Jesus, o qual se nos tornou, da parte de Deus, sabedoria, e justiça, e santificação, e redenção” (1Co 1.30). A partir do momento em que recebem a salvação, os cristãos são chamados de santos, independente de seus méritos. Paulo, ao escrever aos coríntios, disse: “À igreja de Deus que está em Corinto, aos santificados em Cristo Jesus, chamados para ser santos, com todos os que em todo lugar invocam o nome de nosso Senhor Jesus Cristo, Senhor deles e nosso” (1Co 1.2; Ef 1.1; Cl 1.2; Hb 10.10; Jd 1,3).
Uma leitura da primeira epístola de Paulo aos coríntios evidenciará que aquela igreja estava longe de ser perfeita. Seus membros foram chamados de carnais (1Co 3.1,2), além de cometerem inúmeros pecados graves: fornicação, litígios, etc. Em meio a tudo isso, a santidade de Cristo lhes era imputada, porém, não manifestavam a santidade em suas vidas. Paulo é claro neste ponto ao dizer: “Não sabeis que os injustos não herdarão o reino de Deus? Não vos enganeis: nem impuros, nem idólatras, nem adúlteros, nem efeminados, nem sodomitas, nem ladrões, nem avarentos, nem bêbados, nem maldizentes, nem roubadores herdarão o reino de Deus. Tais fostes alguns de vós; mas vós vos lavastes, mas fostes santificados, mas fostes justificados em o nome do Senhor Jesus Cristo e no Espírito do nosso Deus” (1Co 6.9-11). A santificação inicial não purifica da depravação dos pecados perdoados, mas não purifica da depravação herdada, adquirida por meio de nossos antepassados: Adão e Eva.
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O processo de santificação
Ainda que o Novo Testamento fale sobre um começo definido da santificação, também a vê como um processo que continua por toda a nossa vida cristã. João escreveu: “O justo continue na prática da justiça, e o santo continue a santificar-se” (Ap 22.11). Segundo escreveu Paulo, os romanos tinham sido libertos do pecado (Rm 6.18) e estavam “mortos para o pecado, mas vivos para Deus” (Rm 6.11). Todavia, por outro lado, o apóstolo reconheceu que o pecado que o pecado permanece ainda na vida dos romanos e, por essa razão, escreveu: “Não reineis, portanto, o pecado em vosso corpo mortal, para lhe obedecerdes em suas concupiscências. Nem tampouco apresenteis os vossos membros ao pecado por instrumentos de iniquidade, mas apresentai-vos a Deus, como viventes dentre os mortos, e os vossos membros a Deus, como instrumentos de justiça” (Rm 6.12,13).
Aos tessalonicenses, Paulo escreveu: “Devemos sempre dar graças a Deus por vós, irmãos amados pelo Senhor, porque Deus vos escolheu desde o princípio para a salvação, pela santificação do Espírito e fé na verdade” (2Ts 2.13). Entretanto, o apóstolo não deixa de orar pela santificação desses crentes: “O mesmo Deus da paz vos santifique em tudo; e o vosso espírito, alma e corpo sejam conservados íntegros e irrepreensíveis na vinda de nosso Senhor Jesus Cristo” (1Ts 5.23). Não há contradição nesses dois textos. De modo algum. Paulo reconhece que os cristãos foram santificados, no sentido de que a santidade de Cristo lhes foi imputada, porém, devem desenvolver a santidade até alcançarem a estatura de varão perfeito, porque “aquele que começou a boa obra em vós há de completá-la até o dia de Cristo Jesus” (Fp 1.6).
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Santificação completa e final
Embora sejamos cristãos (Rm 6.12,13; 1Jo 1.18), o pecado ainda permanece em nosso coração, por isso “não há promessa na Bíblia de que o cristão irá, nesta vida, chegar um dia a ponto de não pecar mais”, portanto, a nossa santificação nunca se completará nesta vida. O apóstolo João, que experimentou a santificação, sabia que a santificação não purifica da depravação herdada, por isso escreveu: “Se dissermos que não temos pecado, nenhum pecado, nós mesmos nos enganamos, e a verdade não está em nós” (1Jo 1.8). A santificação completa e final, com a abolição do pecado, dar-se-á de duas maneiras na vida do cristão: pela morte ou pelo arrebatamento. Será impossível pecar depois de qualquer um desses eventos. Pela morte, o autor de Hebreus diz que quando entrarmos nos céus, chegaremos à “igreja dos primogênitos arrolados nos céus, e a Deus juiz de todos, e aos espíritos dos justos aperfeiçoados” (Hb 12.23).
Com o arrebatamento, o nosso corpo será glorificado. E o que diz a Bíblia em Filipenses 3.20,21: “... Aguardamos o Salvador, o Senhor Jesus Cristo, o qual transformará o nosso corpo de humilhação, para ser igual ao corpo da sua glória...”.
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Os meios da santificação
A santificação é uma obra tanto do Deus Trino quanto do homem. O Deus Pai santifica o crente ao imputar-lhe a santidade de Cristo: “Mas vós sois dele, em Cristo Jesus, o qual se nos tornou, da parte de Deus, sabedoria, e justiça, e santificação, e redenção” (1Co 1.30). O Deus Pai opera aquilo que é agradável aos seus olhos: “Ora, o Deus da paz, que tornou a trazer dentre os mortos a Jesus, nosso Senhor, o grande Pastor das ovelhas, pelo sangue da eterna aliança, vos aperfeiçoe em todo o bem, para cumprirdes a sua vontade, operando em vós o que é agradável diante dele, por Jesus Cristo, a quem seja a glória para todo o sempre. Amém!” (Hb 13.20,21). O Deus Pai disciplina: “Além disso, tínhamos os nossos pais segundo a carne, que nos corrigiam, e os respeitávamos; não havemos de estar em muito maior submissão ao Pai espiritual e, então, viveremos?
Pois eles nos corrigiam por pouco tempo, segundo melhor lhes parecia; Deus, porém, nos disciplina para aproveitamento, a fim de sermos participantes da sua santidade” (Hb 12.9,10; 1Pe 5.10). O Deus Filho, Jesus Cristo, santifica o crente por meio do seu sacrifício, ou seja, Jesus deu a sua vida pelo crente: “Nessa vontade é que temos sido santificados, mediante a oferta do corpo de Jesus Cristo, uma vez por todas” (Hb 10.10; 13.10; Ef 5.25-27). Além disso, o Deus Filho, por intermédio do Espírito, produz a santificação no crente: “Pois, tanto o que santifica como os que são santificados, todos vêm de um só. Por isso, é que ele não se envergonha de lhes chamar irmãos” (Hb 2.11). O Deus Espírito Santo santifica o crente ao livrá-lo da natureza carnal: “Porque a lei do espírito de vida, em Cristo Jesus, te livrou da lei do pecado e da morte” (Rm 8.2). O Espírito Santo milita contra a manifestação da carne: “Porque a carne milita contra o Espírito, e o Espírito, contra a carne, porque são opostos entre si; para que não façais o que, porventura, seja do vosso querer” (Gl 5.17).
Somente o Espírito Santo pode mortificar a carne: “Porque, se viverdes segundo a carne, caminhais para a morte; mas, se, pelo Espírito, mortificardes os feitos do corpo, certamente, vivereis” (Rm 8.13), e produzir o fruto do Espírito (Gl 5.22,23). O papel que desempenhamos na santificação é passivo, porque dependemos de Deus para nos santificar (Fp 2.13), e ativo, porque nos esforçamos para obedecer a Deus e dar os passos que nos ajudarão a aperfeiçoar a nossa santificação (2Co 7.1).
REFLEXÃO
CONTEÚDO DA AULA
Pela Palavra
“Santifica-os na verdade; a tua palavra é a verdade. Assim como tu me me enviaste ao mundo, também eu os enviei ao mundo. E a favor deles eu me santifico a mim mesmo, para que eles também sejam santificados na verdade” (Jo 17.17-19). Davi disse: “Guardo no coração as tuas palavras, para não pecar contra ti” (Sl 119.11).
CONTEÚDO DA AULA
Pela fé
“Para lhes abrires os olhos e os converteres das trevas para a luz e da potestade de Satanás para Deus, a fim de que recebam eles remissão de pecados e herança entre os que são santificados pela fé em mim” (At 26.18). “E não estabeleceu distinção alguma entre nós e eles, purificando-lhes pela fé o coração” (At 15.9).
CONTEÚDO DA AULA
Pelo sangue de Jesus
“Por isso, foi que também Jesus, para santificar o povo, pelo seu próprio sangue, sofreu fora da porta” (Hb 13.12).
CONTEÚDO DA AULA
Pela Trindade
Pai: “O mesmo Deus da paz vos santifique em tudo; e o vosso espírito, alma e corpo sejam conservados íntegros e irrepreensíveis na vinda de nosso Senhor Jesus Cristo” (1Ts 5.23). Filho: “Pois, tanto o que santifica [o contexto se refere a Jesus] como os que são santificados, todos vêm de um só. Por isso, é que ele não se envergonha de lhes chamar irmãos” (Hb 2.11). Espírito Santo: “Deus vos escolheu desde o princípio para a salvação, pela santificação do Espírito e fé na verdade” (2Ts 2.13). “Eleitos, segundo a presciência de Deus Pai, em santificação do Espírito” (1Pe 1.2).
VERIFICAÇÃO DE APRENDIZAGEM
Verificação de aprendizagem
Use estas perguntas para revisar os principais pontos estudados.
Que sentidos o Antigo Testamento dava à palavra santificação?
O que se entende por santificação instantânea e gradual?
Quais são os três estágios da santificação?
Explique, em poucas palavras, cada um deles. Como a Trindade opera a santificação?
Quais são os meios que o crente possui para se santificar?